Eu não queria chorar. Não queria, porque sou mãe e ser mãe é ser a alegria enfeitada com olhos, nariz e boca. É ser ternura disfarçada de mulher e no dia das mães é somente a felicidade que deve aflorar. Mas as lágrimas são inevitáveis quando percebemos que ao nosso redor o que para nós é alegria, para outros é dor. E se a dor é individualizada e única, não podemos ignorar que somos irmãos uns dos outros e que estamos à mercê das mesmas coisas, dos mesmos acontecimentos.
Homenageei mães de várias formas diferentes, mas não havia falado de forma direta àquelas que sobreviveram aos seus filhos. Peço perdão. São casos em que preciso escrever do que não vivi, mas em que preciso me colocar na pele de quem o fez para escrever e, creiam, é tremendamente doloroso. Difícil fazê-lo sem lágrimas, sem sofrimento, porque só a idéia da perda já nos deixa feridos. O fiz essa manhã para que essas mães podadas de filhos não sintam-se sozinhas, para que saibam que uma mãe o é eternamente e que mesmo se não compreendemos certos desígnios da vida, vale a pena passar por ela.
Letícia Thompson
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